O sol tinha começado a pôr-se. O salgado aroma da maresia confundia-se com o cheiro doce das flores que preenchiam os campos de cores. Mais uns minutos e tudo estaria diferente. O cheiro seria diferente. A visão diferente.
A noite caíra e Tamylin estava inquieta. Fosse por Chad estar atrasado, ou pela escuridão que a envolvia. Nada estava a correr bem e isso causava-lhe arrepios na espinha. O único sinal de vida no raio da sua visão, era o faroleiro a dirigir-se ao farol para o ligar. A lua tinha começado a aparecer e Tamylin levantou-se da rocha onde estava sentada, para se remexer impaciente. "Se ele não chegar dentro de 20 minutos eu vou-me embora." Pensou ela enquanto o faroleiro acendia a enorme lâmpada do farol.
Dez minutos se passaram até ela avistar as luzes de um carro a aproximar-se ao longe. As ondas batiam contra a base da arriba, o que levantava vapor de água e humedecia o ar. Estava uma amena noite de Primavera, mas era maré viva, e as ondas eram altas e metiam respeito. O carro aproximava-se rapidamente e Tamylin já ouvia o barulho das suas rodas a pisar as pedras do caminho de terra batida. O carro aproximou-se. Aproximava-se sempre à mesma velocidade.
O carro estava a menos de 200 metros de Tamylin e esta continuava estática, à espera; porém o carro não parava e ela viu-se obrigada a gritar. Gritou com todo o ar que lhe restava nos pulmões enquanto a chapa metálica do pára-choques do carro chocava contra a sua cintura, quebrando e deslocando os seus ossos. O seu corpo, já sem forças, foi projetado pela força de impacto em direção à arriba. As ondas, lá em baixo, festejavam a sua presa.
O faroleiro comia uma sandes de manteiga de amendoim.
O carro afastava-se tão rapidamente como se tinha aproximado.
E a lua, cheia, sorria.

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