sexta-feira, 29 de março de 2013

Episódio II

   O sol nascera e Chad acordou sobressaltado. "Foda-se." Disse para si próprio quando olhou para o relógio e se lembrou de Tamylin, que estaria à sua espera ao pé do farol na noite anterior. Meteu desodorizante, vestiu as jeans do dia anterior e tentou telefonar a Tamie. Nada. O telefone não tocava. Vestiu uma t-shirt básica e dirigiu-se ao seu carro. Tentou ligar-lhe outra vez. Nada. Marcou o número da sua melhor amiga, Sandie, mas arrependeu-se pois elas estavam chateadas. Rogou uma praga e acelerou em direção à casa de Tamie, na esperança de se desculpar pelo seu atraso.
   Quando chegou, respirou fundo antes de tocar à campainha do apartamento de Tamie. A temperatura estava amena, mas o vento fresco resultante da proximidade com o mar, refrescava a atmosfera circundante. Ouviu um barulho no interior do prédio. Daniel, o ex-namorado de Tamie, acabava de sair do elevador.
   Assim que Daniel saiu, Chad perguntou, hostil:
   -Foste a casa da Tamie ?
   -Não fui, mas se tivesse ido tinhas alguma coisa que ver com isso ?
   Com isto, Daniel vira-lhe as costas e continua o seu caminho. Se Daniel não tinha ido a casa de Tamie, o que estava a fazer no seu prédio ? Quando chegou ao 2º andar, a porta do apartamento de Tamie estava encostada. Uma discussão estava a acontecer lá dentro. Um cheiro fétido infestava o ar. Chad abriu a porta e deparou-se com a sala toda desarrumada, como se alguém tivesse andado à procura de alguma coisa. A discussão continuava a soar  na cozinha até que Chad pisou um caco de um vaso e as duas pessoas se calaram. Uma das vozes parecia ser de Sandie e a outra era retorcida, quase sobre-humana.
   Um forte clarão iluminou a sala quando uma nuvem destapou completamente o sol, mas o silêncio mantia-se. Chad pegou numa estatueta e dirigiu-se cautelosamente até à porta da cozinha. Ele sabia que quem quer que lá estivesse, sabia que ele estava ali. Começou a suar com a antecipação. Após acumular coragem, virou-se e entrou pela cozinha dentro, deparando com esta vazia e alguém deitado na bancada em ilha. Era do sexo feminino, loira, pele clara, jovem. Chad estremeceu. Aproximou-se do corpo, sendo agora possível ver toda a sua parte da frente. As costelas estavam abertas, sendo que a única coisa que restava, era o seu coração ainda a bater.
   Chad chorou. Tamylin não podia morrer. Aquela não podia ser Tamylin.
   O coração continuava a bater, sendo esse o único som audível.
   O sangue fresco, espesso, escorria pelas portas dos armários do balcão.
   Chad chorava. O coração batia.

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