Um barulho ensurdecedor acordou Chad do seu sono narcótico. Ainda atordoado, levantou-se e reparou que tinha o cateter novamente na sua veia. Voltou a tirá-lo, irritado. A janela estava completamente aberta, a porta estava aberta. Através das grades, via-se o mar, viam-se ondas, viam-se gaivotas, ainda que com uma visibilidade muito reduzida. Cheirava a maresia e o tempo estava soalheiro. Ouviam-se vozes lá fora. Do corredor, não vinha qualquer som, só uma desagradável corrente de ar. Voltou a olhar para onde tinha visto a câmara no outro dia. Ainda lá estava. Silenciosa, observadora. Rogou uma praga a quem quer que fosse o doentio que estivesse do outro lado e levantou-se, dirigindo-se à saída do quarto. As paredes eram de um branco sujo, e o corredor era comprido, tendo portas de ambos os lados. O quarto dele não era o único com a porta aberta, mas não se via nem ouvia mais ninguém, então Chad decidiu sair dali, na tentativa de encontrar alguém que lhe explicasse o que se passa. Quando chegou ao fundo do corredor e olhou à esquerda, outro corredor o esperava, tendo este tantas ou mais portas que o anterior. Continuou a andar. Sentia-se desconfortável nas suas roupas. Não tomava banho desde o dia em que era para ter estado com Tamylin e entretanto tinha suado. Tinha fome, sede, e a sua bexiga doía-lhe. Começou a correr em direção ao fundo do corredor, até se aperceber de algo quente na sua perna, e de ver as suas calças molhadas. Não tinha aguentado. As lágrimas vieram-lhe aos olhos e o desespero apoderou-se dele.
Enquanto Chad se preparava para continuar a corrida, ouviu uma voz a falar. Olhou para trás e viu uma porta fechada em que ele não tinha reparado enquanto corria. Aproximou-se da porta, passos suaves. Reparou nas chaves que estavam penduradas ao lado da porta e esperou por algum sinal do outro lado, levantando-se um silêncio pesado. Chad tremia, nervoso. Meteu a chave no buraco da fechadura e tentou destrancar a porta, mas esta resistiu-lhe. Ele fez força e ouviu um clack que evidenciava o facto da chave se ter partido. Afastou-se da porta e, a andar de costas ainda a olhar, continuou a atravessar o corredor. Até que ouviu:
-Onde estou?! Digam-me! Por favor!
Um arrepio assolou-lhe o corpo e paralisou-lhe os músculos. O seu cérebro encheu-se de perguntas e dúvidas. O medo e a impotência apoderaram-se dele. Tremia, gemia, suava. Caiu de joelhos no chão.
-A calma é a chave.
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