Barca-Ospedale Psichiatrico
Dylan apressou-se a abrigar-se debaixo do telheiro e limpou os óculos com a ponta da bata. Os outros médicos já estavam lá dentro a socializar, mas Dylan não tinha coragem para isso. Limitou-se então a ficar na parte de fora, à espera que o chamassem para a reunião para a qual o tinham convocado. Tinham-lhe telefonado no dia anterior, de um número oculto, a convocá-lo para uma reunião secreta no Barco-Hospital Psiquiátrico que iria atracar em La Rochelle. Não lhe disseram pormenores, pelo que desligaram assim que debitaram toda a informação sobre como chegar ao local, como se apresentar e a oferta monetária. Ele não sabia ao certo o que esperar, mas a sua situação económica não era das melhores, e todo o dinheiro era mais do que bem vindo. Uma mão feminina tocou-lhe no ombro esquerdo.
-Vous êtes nouveau ici? - Disse a dona da mão.
Surpreendido, Dylan virou-se e deparou-se com uma mulher morena, de olhos verdes, tez clara e um sorriso brilhante. Instintivamente, percorreu com o seu olhar os traços da sua cara, os lábios, desceu ao pescoço. Parou ao sentir que estava a ir longe demais. Tinham passado alguns anos desde a última vez que tocara numa mulher.
-Hm ? - interrogou ela, impaciente, à espera de uma resposta de Dylan.
-Oh je... Hm... - Gesticulou com as mãos na tentativa frustrada de transmitir que não sabia falar francês. A mulher sorriu.
-Oh ainda bem, obrigada! Eu também não sei muito mais que aquilo. - Soltou uma risada adorável e pegou no braço de Dylan. - Vem para dentro, vou apresentar-te o resto dos colegas.
Dylan sorriu e limitou-se a deixar-se levar por ela. Assim que chegaram lá dentro, um dos médicos reparou nele e aproximou-se.
-Segue-me.
A mulher ficou atrapalhada e confusa, enquanto Dylan se deixou guiar pelo homem. Parecia ser o tipo de homem que fizesse parte de uma reunião secreta de psiquiatras internacionais. O homem levou-o através de um corredor com portas de ambos os lados, e com paredes pintadas de um branco acizentado. Quando acabou o corredor, viraram à esquerda para entrarem num outro corredor perpendicular ao anterior, este era muito mais curto e acabava numa porta de ferro com uma pequena janelinha com grades. Assim que chegaram perto da porta, Dylan disse:
-O que é isto ? Ou melhor, porquê isto ?
-Olhe lá para dentro.
Um cheiro fétido vinha de dentro das grades, quando Dylan aproximou a cara destas, de modo a tentar ver o que estava dentro daquela cela escura. Só se via um triângulo de luz, interrompido com as sombras das grades. Um som gutural vinha de um dos cantos da sala. Poças viscosas manchavam o chão metálico. Um rugido soou. Ou um choro. Algo sobre-humano residia naquela cela.
-Apresento-lhe o seu novo objeto de estudo nos próximos tempos. A melhor das sortes.
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