Um toque gélido acordou Dylan do que tinha sido a mais atormentada noite de todas as que tivera. Tinha tido imensas dificuldades em adormecer, pois não deixava de pensar no que residia naquela cela. O seu novo paciente. Não deixava de pensar num modo de analisar aquele ser sem ser com contacto direto, ou proximidade. Ele precisava de o analisar. Mas como? Olhou para o relógio. Eram 7:33, por isso tomou um duche refrescante e vestiu o habitual: umas calças de ganga, umas botas, uma camisa e uma sweat-shirt. Desceu o elevador até ao piso térreo do hotel na esperança de haver pequeno almoço já preparado, o que se verificava. Tomou um pequeno almoço reforçado e foi de táxi até ao cais de La Rochelle. Entrou no barco e reparou que não havia uma receção, nem sequer alguém que monitorizasse a entrada. A única coisa que ele via além das paredes e das portas, eram as câmaras que captavam o mais mínimo movimento. Por momentos refletiu sobre quem seria o dono daquela instituição, mas foi interrompido pela mesma mulher do dia anterior.
-Bom dia! Ontem não cheguei a dizer o meu nome, mas chamo-me Estelle. E tu ?
-Eu chamo-me Dylan. - Disse atrapalhado. Por um lado sentia-se feliz por conhecer alguém naquele sítio, por outro, temia que não se pudesse dar ao luxo de fazer amizades visto o secretismo da sua estadia.
-Hm ontem desde que o Dr. Marten te levou para a ala C, não te vi mais. Vais ficar cá ou ?
-Não sei, sinceramente não sei bem o que estou cá a fazer, mas devo ficar cá durante uns tempos. - Por instantes a imagem do interior da cela veio-lhe à cabeça e atormentou-lhe a mente, que se transpareceu na sua expressão facial.
-Vem, eu pago-te o café.
-Oh... Não posso, eu tenho de ir andando, tenho muito trabalho.
Custou-lhe dizer aquilo, visto que no fundo queria ir beber um café com ela, mas por sua sorte isso notou-se genuinamente na sua expressão, pelo que Estelle sorriu e se meteu por um corredor que Dylan supôs ser o que ia dar ao bar. Enquanto isso, percorreu o caminho que no dia anterior percorrera com o Dr. Marten em direção à cela 733. Quando ia a meio do último corredor, um som ofegante vindo de dentro de uma das celas chamou-lhe a atenção. Esta porta não tinha abertura com grades mas estava semi-aberta pelo que Dylan decidiu espreitar o que se passava.
A visão que ele teve foi surpreendente. Sentado em cima da cama, encostado na parede, estava um jovem na casa dos 20. A mão esquerda dele envolvia em si o seu pénis, erecto. A mão direita levantava a bata do hospital e esfregava o seu corpo definido. Ficou por momentos a observar, surpreendido, até que o rapaz reparou que alguém o observava. Dylan, atrapalhado, afastou-se do espaço entre a porta e a ombreira desta, de modo a que o rapaz não o visse, mas era inevitável. O rapaz abriu ligeiramente a porta e puxou Dylan para dentro do quarto, não dando a este tempo para reagir, encostando de seguida a porta novamente. O pénis erecto do rapaz notava-se através da sua bata. Dylan, atrapalhado, tentou pensar em alguma coisa para dizer, mas enquanto abria a boca para falar, a mão esquerda do rapaz, que anteriormente lhe estava a proporcionar prazer, estava agora a agarrar na zona das calças onde estaria o pénis de Dylan. Este abriu os olhos, e um arrepio percorreu-lhe a espinha. Era uma sensação que nunca tinha sentido. De seguida, o rapaz aproximou-se e os lábios tocaram-se num toque que provocou a ereção total do pénis de Dylan. Assim que isto aconteceu, o rapaz desabotoou o botão das calças de Dylan e inseriu a sua mão lá dentro, de modo a agarrar no sexo deste. Ele soube logo que aquilo estava a ir longe demais. Ele era um médico, e para além disso, não deveria fazer nada com um rapaz, seria errado. Tentou dirigir-se à porta mas a força do rapaz era maior, e este conseguiu empurrá-lo de forma a Dylan cair de costas na cama desconfortável do hospital.
Imensos pensamentos passaram pela cabeça de Dylan enquanto o rapaz se despia e o despia a ele. Não podia resistir, o melhor era deixar-se levar. Manteve-se inexpressivo enquanto o rapaz se esfregava em cima dele, até acontecer o que ele temia. A dor percorria-lhe o corpo. O prazer estimulava-o. Uma corrente de emoções fê-lo concentrar todas as suas forças na cara. Não aguentou muito tempo. A dor. O prazer. O erro. O paciente que esperava por ele na cela fétida. Estelle no bar. A sua antiga vida.
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