A luz que entrara pela janela, ofuscava agora os olhos de Sandie, enquanto esta se tentava libertar das correntes de metal que a mantinham cativa há dias. As paredes excessivamente brancas refletiam a maior parte da luz que por algum lado entrava no quarto. Quase nada era visível, e toda aquela exposição à luz queimava os olhos de Sandie. Fechou-os e pensou no que se tinha passado nos últimos dias. Sentia-se mal por ter abandonado a melhor amiga. Sentia-se mal por ter sido responsável por tudo o que se andava a passar. Mas tinha feito tudo bem, tudo o que lhe pediram, não fazia sentido manterem-na amarrada a uma cama, num quarto demasiado iluminado.
Um som eletrónico anunciou a chegada de um deles. Os seus passos metodicamente melodiosos aproximavam-se como que a seguir o compasso de um maestro. Sandie sussurrou algo que parecia uma língua esquecida. Ele aproximou-se dela. A respiração dele era quente e o seu hálito cheirava a queimado. Algo na sua presença a confortava.
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